O direito de ter uma habitação digna

São José e a Bem Aventurada Virgem Maria procuraram na pequena Belém uma habitação digna para a vinda ao mundo do filho, tão esperado. Mas a pequena cidade fechou as portas para a família humilde e o único lugar que os acolheu foi um curral, onde nasceu o Salvador do mundo.

 Esta história se repete todos os dias no imenso Brasil. Jovens e adultos que iniciam a vida familiar e procuram uma habitação digna para o nascimento de seus filhos, esperados com tanta alegria, não encontram casa ou apartamento, e a maioria não tem acesso aos programas de moradia do Estado. A estrutura social organizada não é capaz de acolher o sonho das jovens famílias por uma moradia capaz de propiciar a intimidade familiar e constituir o lar. São João Paulo 2º, quando visitou Maceió, disse: Todos clamam por moradia digna, por condições de trabalho protegidas por leis justas e efetivamente cumpridas, por uma política de saneamento eficaz, um atendimento hospitalar e um amparo à velhice justo e responsável(Maceió, 19.10.1991).  

Para enfrentar o problema da falta de moradia, as famílias se submetem a ambientes insalubres, cortiços, residências inadequadas onde todos vivem esprimidos  em pequenos cômodos. Outros pagam aluguéis absurdos e há aqueles que se obrigam a permanecer na casa de seus pais. 

 Não podemos continuar convivendo com a violação sistemática do direito fundamental a uma moradia digna para a família. É necessário uma atitude nova, portadora de esperança e promotora da família e das condições mínimas para seu pleno desenvolvimento. São João Paulo 2º disse que cabe a nós trabalhar para transformar esta realidade: Os cristãos, como exigência de sua fé e de sua fidelidade a Cristo, que nos faz ver seu rosto divino no pobre, no faminto, no homem da rua ou no prisioneiro, devemos ser os primeiros nesta missão. Ela não possui motivações ideológicas ou políticas. Ela é a expressão de nosso amor e serviço a Cristo em nossos irmãos. Somente assim a família brasileira poderá ser essa “Igreja doméstica”, onde a paz e a harmonia reinarão, tornando-se o berço de uma sociedade cristã [...] Um país de tal expressão demográfica, necessita com urgência de uma política habitacional inteligente, baseada no fato evidente de que a casa não é algo mais, mas um componente fundamental de qualquer política autêntica! (Maceió, 19.10.1991).

Dom Sergio de Deus Borges - Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Santana