| Catequese

A Liturgia é do Povo de Deus

É claro: se o Povo de Deus está exercendo sua parceria com Deus, então, as ações litúrgicas são do Povo de Deus.

A Liturgia é uma palavra de origem grega que significa o serviço solidário de Jesus Cristo em favor da humanidade. “A ação sagrada através da qual, com um rito na Igreja e mediante a Igreja, é exercida e continuada a obra sacerdotal de Cristo, isto é, a santificação dos homens e a glorificação de Deus” (LITURGIA, 1992, p. 644). Assim entendida, a Liturgia é também ação da Igreja/comunidade (cf. SC 5-7).

Assembleia Litúrgica é o Povo de Deus que se reúne convocado pela Palavra de Deus com a finalidade de celebrar a Aliança. O povo é o único parceiro idôneo de Deus na Aliança. Tanto que Deus só fez a Primeira Aliança, quando o povo de Israel concordou com a Aliança com base nas 10 palavras (mandamentos). Deus se sujeitou à decisão do povo liderado por Moisés.

O que aconteceu com o povo judeu é figura do que Deus fez em Jesus Cristo, ou seja, a nova e eterna Aliança com o novo Povo de Deus com base no novo mandamento do amor.

O Povo de Deus não é o público de um show, é o povo que comparece com a finalidade de testemunhar e confirmar sua Aliança com Deus em Jesus Cristo.  

As pessoas que cumprem os ministérios litúrgicos colocam-se em serviço gratuito. Qualquer ministério litúrgico é um serviço prestado ao Povo de Deus reunido em Assembleia Litúrgica.

A Assembleia está reunida para ela celebrar a Liturgia. É claro: se o Povo de Deus está exercendo sua parceria com Deus, então, as ações litúrgicas são do Povo de Deus. Todos os ministérios lhe pertencem. É a Assembleia Litúrgica quem delega algumas funções a pessoas. Por exemplo, proclama-se a Palavra, porque o povo quer escutar a Palavra; canta-se, porque o povo quer louvar o seu parceiro Deus. Ninguém pode assumir um showzinho particular roubando ao povo o direito à Palavra e ao canto. O nível é outro que o exibicionismo comum na sociedade. Quem não tiver onde se exibir não escolha a Liturgia para isso.

Daí brotam os direitos da assembleia de participar da celebração litúrgica. Assim sendo, a celebração litúrgica não se faz para a Assembleia Litúrgica; a Assembleia Litúrgica faz acontecer a celebração litúrgica.  A Assembléia Litúrgica é o sujeito da celebração litúrgica (SC 27). Sujeito é quem faz a ação expressa pelo verbo da frase. A ação é celebrar. Quem faz a ação de celebrar é o agente da celebração, e só a Assembleia Litúrgica pode ser o agente da celebração (cf. Ne 8,2-10).

Também é a Comunidade de Fé/Assembleia Litúrgica que torna sagrado e tão respeitoso o local onde se reúne para celebrar a Liturgia.