| Arte sacra

A catedral de São Paulo

O presente trabalho reúne a bibliografia recente acerca da Catedral da Sé, considerada sob o prisma do estudo da História da arte sacra em São Paulo.

A origem da catedral de São Paulo remonta a 1588 quando os moradores da pequena vila de São Paulo do Campo, ou São Paulo do Piratininga disputavam com os jesuítas a permissão do poder real para construir uma igreja. Somente em 1591 foi permitida a construção da então Matriz cuja construção só pôde ser iniciada em 1598 e finalizada em 1612. Com a transformação de vila em cidade em 1740, São Paulo tornou-se sede da diocese homônima em 1745. A antiga igreja foi demolida e substituída por uma nova, construída em estilo barroco, concluída em torno de 1764. Esta modesta igreja foi a Catedral de São Paulo até 1911, quando foi demolida, a fim de dar lugar a um novo projeto à proporção da nova São Paulo que florescia. O arquiteto responsável foi o alemão Maximilian Emil Hehl (1861-1916), que projetou uma igreja de grande proporção em estilo eclético, por possuir vários elementos arquitetônicos de estilos distintos, como a cúpula e o arco ogival, mas que predomina claramente o neogótico, inspirada nas grandes catedrais medievais europeias. Hehl nasceu em Kassel, Alemanha, filho de uma família de engenheiros e estudou engenharia em Hannover. Em 1888, migrou ao Brasil para trabalhar na construção de estradas de ferro em Minas Gerais. Mudou-se mais tarde para São Paulo, onde se tornou professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo a partir de 1898. Como arquiteto, Hehl foi responsável pelos projetos de outros célebres edifícios paulistas como a Catedral de Santos, a Igreja da Consolação, o Quartel do Corpo de Bombeiros de Santos, a capela do Sanatório Santa Catarina, e a Igreja de Santo Agostinho, todas em estilo eclético com predominância do neo-românico ou do neo-gótico.

A Catedral da Sé começou a ser construída em 6 de julho de 1913, quando Dom Duarte Leopoldo e Silva (1867-1938) era o Arcebispo de São Paulo, que se destacou por um admirável descortino na reorganização da igreja no Estado de São Paulo, entre outras razões, através da criação de novas dioceses, da reestruturação do Seminário Central, da construção de grandiosos edifícios sacros em diversos estilos e da criação do Museu de Arte Sacra. Se por um lado Dom Duarte demonstrou visão ampla em construir edifícios sacros em proporção de uma cidade que passaria da quinta maior capital brasileira em população no ano de 1900, para a maior metrópole da América e do Hemisfério Sul já no final do século XX, nota-se, contudo, que ao menos no ponto de vista da arte sacra, sua desconsideração para com os edifícios barrocos demolidos com a finalidade de ceder lugar às novas igrejas em neo-gótico e neo-românico podem ter privado a geração contemporânea de desfrutar e estudar o barroco paulistano em várias de suas principais realizações. Contudo, o legado neo-gótico e neo-românico de Dom Duarte marcou a História da Capital com o início da construção de templos grandiosos como as catedrais projetadas sob seu apoio decisivo aos projetos do engenheiro Max Hehl.

Fonte: SANTOS, Marcos E. Melo dos. A Catedral Metropolitana de São Paulo por Maximilian Emil Hehl (1891-1916): História, arte e ecletismo na arquitetura sacra paulistana. Revista Eletrônica Espaço Teológico, v. 8, 2014. p. 4-15.

O texto na íntegra pode ser lido no link: http://revistas.pucsp.br/index.php/reveleteo/article/viewFile/19718/14600

Marcos Eduardo Melo dos Santos